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Economizando energia
A adoção de medidas restritivas ao
consumo de energia elétrica, exige, por outro lado, providências urgentes para
que atinjamos os patamares de consumo definidos pelas empresas
concessionárias, evitando assim medidas antipáticas como sobretaxas, apagões
e cortes no fornecimento.
Trata-se, a economia, mais propriamente de uma redução do consumo "per capita" e que terá impactos diferentes segundo o grau de conforto a que
está habituado cada usuário.
Certamente a maioria dos consumidores terá dificuldades em alterar
tais padrões, razão pela qual conselhos como diminuição do tempo do banho
certamente não terão sucesso.
No entanto, o momento sugere algumas reflexões que apontam para a necessidade
de alterações comportamentais, uma vez que o problema energético deve
tornar-se cada vez mais crucial.
O banho
Como foi dito anteriormente pouco se poderá fazer com
relação a esse item, a menos que a energia elétrica utilizada pelo chuveiro seja
substituída pela energia solar,
ou seja adotado o gás, como combustível.
Conselhos como diminuição do tempo do banho ou a utilização do chuveiro
elétrico na posição verão são discutíveis, pois exigem a renúncia a um
dos poucos prazeres de que ainda dispomos, sem falar na dificuldade e perigo na
manipulação freqüente dos controles do chuveiro elétrico.
Não deixa de ser irônico que as medidas restritivas do consumo
tenham sido adotadas no inverno!
Tendo em vista que quanto mais baixa a temperatura ambiente, mais tempo
permanecemos embaixo do chuveiro, uma alternativa seria, talvez, que aqueles
que puderem, banhem-se entre 10:00h e 15:00h, período do dia com temperaturas
mais elevadas.
Com relação aos banhos em banheiras, e, mais especificamente naquelas dotadas
de hidromassagem, programas restritivos de consumo os tornam proibitivos.
Aquecimento de ambientes
Embora no Brasil não utilizemos a
calefação, torna-se cada vez mais comum, a utilização de aquecedores de
ambiente, no inverno, o que se constituirá em mais uma preocupação com
relação à economia de energia. Embora o adulto normal possa prescindir de tal
equipamento, o mesmo não se dá com significativa parcela de pessoas como:
bebês, idosos, enfermos, etc.
Com relação ao aquecimento de ambientes, existem particularidades
interessantes, cujo conhecimento pode contribuir para uma revisão na
utilização dos aquecedores.
Os ambientes de uma edificação aquecem-se durante o dia e resfriam-se à
noite, mais intensamente no inverno.
As paredes de alvenaria funcionam como acumuladores de calor; dependendo de sua
espessura e do material de que se constituem, o conservam por mais ou menos
tempo.
Já as janelas perdem calor com extrema rapidez.
Assim, podemos adotar medidas que impeçam que o calor acumulado no ambiente
durante o dia, no inverno, se perca rapidamente a noite.
Como já foi dito, o período do dia entre 10:00h e 15:00h, apresenta as
temperaturas mais elevadas.
Seria assim, uma boa idéia, impedir a perda do calor após as 15:00h ou quando
já não houver insolação direta após essa hora, simplesmente fechando as
janelas e cerrando as cortinas, desde que não haja a necessidade de
iluminar artificialmente o ambiente.
Ar condicionado
Da mesma forma que perde o calor
ambiente no inverno, principalmente pelas janelas, o edifício ganha calor no
verão, principalmente pela cobertura e janelas.
Aí, inversamente ao item anterior, para economizar energia de refrigeração,
as janelas poderiam permanecer fechadas no período entre 10:00h e 15:00h, de
forma a impedir o sobreaquecimento dos ambientes internos e conseqüentemente um
uso mais intensivo dos aparelhos de ar condicionado, e ventiladores.
Cocção
De há muito, com a popularização dos
alimento congelados, o fogão e o forno que usam como combustível o gás de
cozinha, e que, por enquanto não corre o risco de racionamento, foram
substituídos pelo forno de microondas.
Tal equipamento, que tem um consumo de energia elétrica elevado, teve seu uso
desvirtuado e hoje, é utilizado até para aquecer a água do chá!
Portanto, um retorno ao uso do gás como combustível para a cocção, ou mesmo
para o descongelamento de alimentos, pode contribuir para uma redução
significativa no consumo de energia elétrica.
Refrigeradores/Freezeres
Na época de inflação elevada,
sedimentou-se, entre os brasileiros, o hábito de manter estoques, para fugir à
constante alta de preços.
Dessa forma, a geladeira tradicional foi substituída por outras maiores e houve
uma procura generalizada por freezeres, também de todos os tamanhos e preços.
A ordem era estocar o máximo possível, desde carne até a cerveja, passando
por comida congelada suficiente para meses de consumo.
Ocorre que, embora os preços tenham se estabilizado, tenham-se multiplicado e
sofisticado os pontos de vendas, principalmente supermercados, o hábito de
estocar permaneceu inalterado.
Tal atitude deve ser repensada e, talvez, seguindo o exemplo da indústria, ser
substituída pela estratégia do "just in time", com relação aos
produtos cuja conservação necessite consumo de energia. Importante ainda é
verificar a correta regulagem da temperatura interna dos refrigeradores.
Iluminação
Com relação a tal item, entendemos
que também aí, pouco poderá ser feito.
Isso porque, o consumo energético devido às lâmpadas, numa residência
normal, não é significativo e também, porque entendemos que nossas
habitações já apresentam níveis inadequados de
iluminação.
Aliás, o momento é oportuno também, para nos informarmos melhor sobre tal
assunto, pois cada uma das atividades executadas no lar, exigem um nível
específico de iluminação.
De posse de tais informações, poderemos substituir as lâmpadas existentes por
outras mais econômicas e que garantam adequados níveis de iluminação.
Limpeza
As atividades relacionadas à limpeza
dos ambientes, exigem também grande consumo de energia, direto e indireto.
Consumo direto, no que se refere à energia consumida pelos aparelhos
utilizados: aspiradores de pó, enceradeiras, lavadoras de pressão, etc.
Já o consumo indireto é representado pela energia consumida pelos aparelhos de
iluminação, uma vez que os ambientes permanecem, muitas vezes, iluminados
durante o processo de limpeza.
Dessa forma, além da máxima restrição à utilização de equipamentos
elétricos de limpeza, a mesma deve ser executada nos períodos de máxima
iluminação natural.
Lavar e passar
Certamente ninguém lava ou passa além
do necessário! Contudo, pode ser evitada a utilização de água aquecida em
máquinas de lavar que ofereçam tal opção, uma vez que isso implica em maior
consumo de energia.
Pela mesma razão, deve ser evitada a utilização de ferros de passar, a vapor.
Há ainda mais
Como já foi enfatizado, a vida moderna
coloca à nossa disposição, a cada dia, novos aparelhos que aumentam nosso
conforto, mas, em contrapartida exigem um consumo cada vez mais elevado de
energia.
Muito embora os aparelhos modernos sejam mais econômicos, utilizamos um maior
número deles e mantemos inalterado ou aumentamos o consumo "per capita".
Imaginemos então, quanta energia é consumida sem que nos apercebamos, quando,
cada membro da família utiliza por alguns instantes que seja, a TV, o vídeo
cassete, o DVD, o microcomputador, o vídeo game, o videokê, a torradeira, a
cafeteira, etc.
Isoladamente, são consumos insignificantes; somados, porém podem representar
um percentual não desprezível do consumo total.
Conclusão
A crise energética
já nos surpreendeu
totalmente despreparados e, não apenas no que se refere à geração de energia
elétrica.
Não foram desenvolvidos, junto à sociedade, programas de informação e de
formação de uma mentalidade conservativa.
Negligenciou-se, assim, a melhor alternativa para que fosse evitada a
constrangedora situação a que nos vimos submetidos.
Como vimos, a questão da energia exige enfoques de curto, médio e longo
prazos.
Infelizmente, no momento, nos são exigidas providências em curtíssimo prazo,
e de cuja eficácia ninguém está seguro.
A questão energética, porém, está apenas no seu início e dessa forma,
devemos, independentemente das medidas emergenciais,
introduzir no Brasil, uma nova mentalidade conservativa, que leve em conta:
o uso racional da energia, evitando o desperdício,
a máxima utilização das fontes energéticas naturais e renováveis,
a utilização de fontes não poluentes de energia, e
o estímulo à produção de edifícios com adequado desempenho energético.
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