O mobiliário miniatural
No
passado recente, anteriormente ao advento do
"apartamento decorado", utilizado pelos empreendedores imobiliários para
estimular a visita de potenciais compradores, o material promocional era
essencialmente gráfico.
Tal material apresentava a planta do imóvel, tratada artisticamente, com
a indicação da mobília, como ainda hoje se observa, embora com menor
impacto frente às modernas estratégias de divulgação, como o já citado
apelo "apartamento decorado".
Pesou sobre aquela forma de representação, a suspeita de que os móveis
eram desenhados em tamanho menor, para sugerir a amplidão dos ambientes
e sua capacidade de acomodar confortavelmente um vasto mobiliário.
Com o refinamento das
leis de proteção ao consumidor, tal artifício poderia, com toda a
certeza, ser caracterizado hoje como propaganda enganosa.
A visita à obra mobiliada, porém, permitindo a constatação "in loco" das
possibilidades da mesma, transformou-se em novo elemento, importante,
para a avaliação pelos potenciais adquirentes.
Ou pelo menos é o que se poderia supor.
Recentemente demonstrou-se que a área dos imóveis, em especial a dos
apartamentos vem diminuindo ao longo das últimas décadas.
Assim, grosso modo, um apartamento de 3 dormitórios que possuía há 20
anos área útil de 100,00 m2, é projetado atualmente com 75,00 m2.
Tal fenômeno resultou no fato, também amplamente divulgado, de que o
mobiliário usual já não pode ser acomodado nos imóveis financiados por
diversas entidades.
Diante disso, a indústria moveleira, atenta à questão, tratou de reduzir
as dimensões de seus produtos, para torná-los passíveis de acomodação
nos novos ambientes.
Ironicamente, então, se no passado a mobília era desenhada em tamanho
menor no material promocional, hoje ela "é" realmente fabricada em tamanho menor !
Obviamente, como se vê, a miniaturização do mobiliário é conseqüência da
redução da área dos ambientes.
Pergunta-se então: existem limites para as áreas de tais ambientes?
Certamente que sim, e vários Códigos de
Obras contém as diretrizes a serem observadas. São, porém,
diretrizes básicas.
O assunto, pela importância, merece uma ampla reflexão por parte dos
intervenientes, para que se possa saber ao menos, se as alterações
observadas nas dimensões dos ambientes e da mobília são compulsórias ou
refletem a expectativa do usuário.
Atualmente, o fator econômico ou o custo de produção parecem ditar as
características das construções.
Podem estar permanecendo ignorados os aspectos psicológicos relacionados
ao ambiente edificado, as questões relacionadas à salubridade de tal
ambiente, além das questões urbanísticas, e tantas outras.
Importante, assim, dotar os interessados, dos conhecimentos que lhes permitam
identificar o ambiente edificado saudável, adequado às suas
necessidades, bem como o correspondente tipo de mobiliário. Não menos
importante é o conhecimento dos cuidados a serem observados quando do
recebimento do imóvel, pelos proprietários.
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